sexta-feira, 24 de março de 2017

Zumbidos zen-liberais



Às favas
Às lavas
Às salvas
São

Guarnições de versos
Inversos após
Os a sós
E nós
Aquém

Somos
Convergimos, cúmplices
Pelas pontas dos dedos
Retratos e nus velados

A moral, no jornal diário
Não nos contempla o padrão
Astral

Tuas críticas mais raquíticas
Não entabulam meu riso
Ao inverso da maré

Ao cimo cretino ateu
Eu rimo
Divino adeus plebeu

"Póstumo
Para esta geração"

Emerjo espessos universos
Reversos de si
Derramam-se, - ideias -
Tão

Em meu galardão constam
Luas, estrelas (do mar)
Ou não.

Frestas canhestras quais
Finais, teatro, falácia
Refrão.

Não me contemplam a arte
Em parte, destarte, conhecem-me
A mão.

Cuneiformes rascunhos de si
Quão!

Apimentam-se
Zumbideiros neoliberais

A cada passo dual
Das pernas sinestésicas
Metáforas cativas
Nos presídios dos sentidos
Proletários informais.

Evocam valores
Que minha pena, serena
Escrita helena revê
Cavalgar.

Nas matérias cósmicas
Milhões de intelectos-luz
Aquém de uma teoria
Do sentido estético
Reverberam nuances políticas
(recortes de real)

Dicionários e palavras voam
Selvagens por sobre as pradarias
Da técnica
E do amor

Que tornar-se-á clichê
Ao por-do-sol da aurora verde
Autônoma

Nos céus dos meus sábios pelos

Anderson Carlos Maciel 

domingo, 19 de março de 2017

DUAS ALMAS


Alma, que junto a minha caminhas
pelos espaços do céu.
Segredos entre nós, não há, nos entendemos
muito bem, pelo pó das estrelas vamos,
em qualquer espaço entre os astros descansamos.
Não diria sermos almas gêmeas, porém ,
existe entre nós um entendimento perfeito.
Penso eu, que o molde foi usado duas vezes,
porque por mais que se procure, não se encontra
um defeito.

Roldão Aires

POEMA PARA RECITAR NO ESCURO


A chuva caiu de uma maneira despropositada
toda a noite. Do alto do promontório eu vi o dia chegar
como um colapso. Ignoro
os caminhos da vida para além da floresta.
Ignoro as feições do meu rosto
quando choro ou quando rio
de desespero. Me disseram que o tempo é um rio.
Mas o tempo é um mar
onde todos vamos ao fim naufragar.
A chuva caiu de uma maneira despropositada
como um castigo. Ou bálsamo. De manhã andei doze léguas
sobre a campina alagada,
até me sentir extenuado.
Depois me sentei sobre um rochedo
e cantei todas a canções que eu sabia.
Existir é às vezes tão estúpido
como uma noite de tormenta.
Ou magnífico como o sol
a me crestar a fronte altiva.
Ao voltar, eram vermelhos o salgueiros
da beira da estrada.

Otto Leopoldo Winck
querias ser um ícaro
não passas de um ácaro
de ti não tenho pena
tenho asco

Otto Leopoldo Winck

OFERTA


Como a voz de muitas águas
você me acordou dentro da noite
e eu era como um velho navio naufragado.
O canto dos peregrinos
me chegava aos ouvidos
como uma recordação maldita.
E de repente eu desejei
que não houvesse sol – e nos tons sanguíneos
que antecedem o dia
tudo se revolvesse
e resolvesse.
(Tenho andado tanto
e cantado pouco – pensei.)
Por isso aqui estou
à tua porta
e trago como ex-voto
os veios que as bátegas da chuva
abriram no meu rosto
– e as minhas mãos cansadas
e vazias.

Otto Leopoldo Winck

NO BRASIL APRENDI A VOAR



Derretendo
Por dentro em sufoco
Num país inóspito aos filhos da própria terra
Talvez servidor do estrangeiro
Em Luanda me achei calado.

Num mundo apocalíptico
Onde o medo predomina por causa do opressor
Que à um cidadão pacato que reivindica
Bradando apenas por justiça,
A bala nele não se poupa
Assim somos obrigados a engolir sapos vivos!

Com medo do terror
A voz do poeta se emudece
O talento em sua alma se morre!

Na África, de onde eu vim... me achei calado no meu mundo vago,
Por medo, onde as feras despedaçam as aves indefesas,
Que não têm asas pra voar!

Mas...
Em Curitiba, Capital Paranaense
Entre os escritibas na rua
Em saraus poéticos e canções melódicas
ora em goles do guaraná e risadas eufóricas entre os amigos
No Brasil aprendi a voar!

Em Curitiba migrei
Navegando em suas marés serenas e apaziguantes
Nada igual às marés agitadas e turbulentas
De Luanda-Angola minha terra de onde eu vim!

Oh, Brasil
Migrei em ti em plenitude de corpo e alma
Qualquer dia
De ti só levarei lembranças boas
De sua gente amável e gentil
Pois, daqui, é onde ganhei as minhas asas
E aprendi a voar em liberdade!

Em Curitiba, Capital Paranaense,
Numa roda plenária entre os artistas
Em saraus poéticos de alegria folguedo
Aprendi a voar

Com os amigos
Conselhos e lições estratégicos de Olinto Simões eu bebi
Completando a minha total audácia
Para poder voar
Voar
Voar
Voar
Sim, Voar em Liberdade!

Qualquer dia, de ti Brasil, só lembranças boas comigo levarei!


Moisés António (Curitiba aos 19.03.2017)

Lamentações


Deus , por que me deste personalidade,
Se sabias que eu era mulher
E sofreria?
Deus, por que me deste necessidade
De versos e amores,
Se sabias que eu era mulher e não podia?
Deus, por que me deste
Independência material, espiritual e intelectual
Se me sabias fêmea?
Porque não um marido, três filhos
Uma casa com quintal e cão e
Um retrato pra pendurar na sala de jantar?


Luciana Cañete 

ESSA FOME QUE NÃO PASSA

alimento não sacia minha fome
o gado está para o pasto
o gado não está para o prato
quem mal come o que sacia é a alma
.
desculpas sinceras a quem não come
mas a cicatriz parte do peito
e do querer que a vida anda tendo
deste pouco que a gente anda sendo
.
a fome na índia, a fome na china
tudo que a esperança consome
a fome de pão, de vida, de vagina
.

Março- 2017- Evanilson S. de Almeida

Outono

Folha de plátano
baila ao sol
Acha crepitante
desaba no solo triste
Epitáfio da folha:
Não desapareço
feito espuma nas ondas
Regenero o solo
com ternura feroz
Para colorir azaleias
gardênias e girassóis

Bárbara Lia

Luciana Cañete

fonte : blogue da autora, poeta e escritora
http://www.deusdobrável.blogspot.com

All cansa


A moda de atropelar doença com antibiótico,
De sufocar angústia com shopping center,
De calar amor com caixa de chocolate comprada em segredo,
de esvaziar de sentido o nosso sexto,
de descontinuar o tempo na euforia do imediato,
de se desconhecer origem e fim de nós ou tudo:
cansa.
(Essa secular fadiga se instalou, e se faz esporadicamente sobre minha alma.)
Explicar que o que se descarta não desaparece na mão do ilusionista,
Que dentro e fora se refletem sem ser mesma coisa,
Que há códigos mas também cada experiência nos impele ao aprendizado de uma nova língua,
Que gente tem formas de abrir , fechar , funcionar e emperrar conforme palavras e tons e gestos de outros:
cansa.
Mas de tudo mais me cansa
o incansável querer

o que não se alcança.

Luciana Cañete
Fui povoando de sonhos uma casa. Cresceu mais que tudo o que houve na cidade. Pelas costas sempre outras coisas. Vamos cavalgar as flores de pétalas adjacentes e sumergir depois em pequenos vidros de geléia. Vamos cortar a grama do jardim que nunca tive e soltar os cães de minha infância. Há também uma visita a ser feita, pro labirinto de cerca-viva incendiado por delinquentes juvenis – talvez meus primos. Foi e não volta, sim? Não explicaremos nada. Não há tradução nem língua possível para essas dores e contrangimentos de abandono. Eu não te teria deixado e deixei. Eu teria suplicado a tua presença se tivesse 17 anos, mas estamos velhos para esse amor desesperado, ele soará tão falso quanto o adeus que não me quiseste dar. Vamos para serra, será? Vamos praquele lugar da ponte. Vamos construir uma ponte de nós? Tá, tá , tá. Eu aceito o fim de tudo, depois que vi quando tiraram a gaiola de tucanos do Passeio Público.
Mas no sonho, paralelo ao decorrer do fim, houve uma chuva incessante, houve um salto da janela e tua voz repetindo: - Eu preciso ir embora. E a melancolia, e uma porta que não quis se abrir, mas conseguiste a chave. As rosas sem gosto só provam que foram colhidas antes do tempo.

Quem cozinha ou planta aprende que também os sentimentos tem ciclos. E se regam e adubam para que não morram.


Saudamos a primavera e suas flores paralelas, até o encontro de nossas retas pela circunferência do vasto-pequeño mundo. Sul e norte são a mesma coisa numa superfície esférica. Serão opostos apenas para quem lê mapas, planos cartesianos, não para eu que crio estradas com o que sinto e sempre tenho como ponto de chegada o coração do coração das coisas.

Luciana Cañete

Ela sou eu mais adiante.

Ela sou eu mais adiante.
Eu sinto, eu sei, eu sonho.
Ela me vê em si já encoberta de novas coisas incompreensíveis pros meus pequenos olhos de esquimó.
Ela caiu de pára-quedas e não pude devolvê-la pro alto.
Ela aterrisou com sua bússola estragada e seus mapas de cabeça para baixo(que inexplicavelmente a levam exatamente aonde deveria chegar), seus vasos úmidos e dezenas de latas arcaicas e não pude evitar.
Às vezes ainda sinto um medo, um estranhamento que cada dia parece menor, mais longínquo.
Ela sabe esse labirinto vegetal no meio da cidadezinha, o que já é quase um código secreto.
Porque também eu me desacreditei, porque também eu me impedi.
Já é época de borboletas e mariposas sairem dos casulos e também nós, de nossos medos.
E também nós.

A primavera não perdoa o desdesabrochar, nos obrigará sempre a florir.

Luciana Cañete

Endomingável



por que no domingo a água
tem outra velocidade
e é feriado nacional
em nossas vísceras?
por que no domingo
o amor é mais lento, baldio,
vadiado
e os corpos pesam
10 gramas menos?

por que no domingo
há este insético zumbido
nas retinas?
por que este vazio grávido
de tudo – oco sem beira, espera
do quê, meu deus?

por que nossas mãos ficam
quase cristalinas?
por que a ordem natural pode ser
suspensa e de uma crisálida
irromper um pássaro?
por que as árvores cantam
um tom abaixo?
e os cães latem noutra língua?
e as crianças, cavalgando
desilusões de não ser ainda, calam
desentendimentos?
por que o amor, ósseo, dói como flor
nascendo
sobre o ombro esquerdo
e a vida respinga das páginas
que viramos quando lemos?

não há consolo necessário,
domingo não é preciso.

domingo não é um dia,
apenas mais um dia.

domingo é uma semana,
domingo é a vida inteira



lu cañete + rodrigo madeira
Noite morta natimorta:
que já aviso dera o sono de não vir.

Sonhos e pesadelos não serão, sussurou-se.
Não haverá o vôo entre pássaros azuis,
mulheres não mutilarão os dedos,
nem chuva incessante de coloridas contas
ou queda brusca em buraco,
roupa que encolhe
e atraso pra prova.

Será um dia escuro, a noite natimorta.
Será um dia enluarado,
com olhos estalados no teto do quarto,
depois no azulejo do banheiro e
ainda nadando na água do copo.

A noite morta ressuscita prenhe de um
orgasmo prestes a nascer na boca da namorada,
de um velho a dois minutos da morte,
de uma sirene que mergulha no breu
e de um cão que a pescará sempre.

Noite morta natimorta
meu insono te adivinha.


Luciana Cañete 
Um dia mergulharemos no mistério.
Dele sairemos tão encharcados de muito
quanto enxutos de palavras.
Voltaremos sagrados e silentes,
com olhos de paz eterna.

Se capazes de abismos,
se audazes a ponto de espelhos sem fundo,
de “bexigas sem pele”, “ocos sem beira”
não viveríamos esquecendo que um dia
estaremos diluídos no mistério,
que tudo
nos impele para ele.
Cada dia e todos, como oração inata,
nos preparam
para esse salto em
mais que profunda

água.

Luciana Cañete
Alguns compenetrados, outros vagando pelos quadrantes da sala a consumir o tempo em lenta lenta agonia ou olvidando por completo os insondáveis caminhos das matérias .Outras personas a paisagem do teatro interpretando? Interpretando saberes e seriedades; outras profissionais catando códigos na busca por peneirar pedras preciosas de algum edital. Mais adiante zanzam a procura do que desconhecem, apenas flanando nas veias expostas de cidades imaginárias .Naquele canto alí , a natureza morta dos gestuais de sapiência dos abancados. "Oito horas a Biblioteca fechará suas portas . "Os livros ficaram presos e dentro deles leitores fantasmas. Essa catedral não recebe sem tetos e suas correntes de pedras.


Wilson Roberto Nogueira.2009/19/09

Gaiola Racional

Se eu pudesse
escolheria ser um pássaro
desdenha do peso do tempo
e não fingi com mais de um



Redson Vitorino 

XANGÔ SOBERANO



Bate atabaque
Roda Yaô
Quem não é rodante
Quem não se garante
Se ponha de lado
Que aí vem Xangô.

Sua força de elefante
Logo se faz notar
No toque do agogô
Na música que vibra no ar
No jeito garboso, faceiro
Cambono, não fique parado
Colha o quiabo no terreiro
Vá preparar o Amalá.

A roupa é branca e vermelha
O fogo que tudo queima
Brilha no seu olhar
Inebriante centelha
O poder de governar
É a força de seus Oxés
Se, com ele, nada tema
A Justiça está aos seus pés.

Ele é o meu Orixá
Me abençoa a cada manhã
Grande e forte Songó
Filho benquisto de Oranian
Poderoso Rei de Oyó
Esposo primeiro de Iansã
De amor, chorou por Oxum
Foi amado, mas não amou Obá.

Kawô Kabiesilé!
Soberano sempre lembrado
Do alto de um trono de pedra
Logo abaixo de Oxalá
Ilumina o meu caminho
Com Ele do meu lado
O desespero não medra
Nem na morte estarei sozinho.

- por JL Semeador, em 21/10/2009 -

Publicado no Recanto das Letras em 21/10/2009

Código do texto: T1879533
Forçando o olhar para encontrar outros símbolos nas letras tortas da folha de sentimentos em branco. A página de papel revela-se espelho do atropelo da alma bêbada que quer cair para ver se ainda é capaz de sentir dor. Quebrou-se e nada sentiu; queimaram-lhe o cabelo e teve que cortá-lo daquele jeito hitlerístico que nada tem de seu. Por isso força os olhos da alma no papel que lhe rejeita.

Procurando ao redor das cadeiras algum papel.Se os restos que encontro é o que procuro
nos silêncios das folhas rasgadas, documentos de vozes tortas nas bocas sujas de almas sebosas;leio nos símbolos várias expressões, as quais só explodem de vigor envenenadas sem direção ou valor organizadas.

Desatino no desalento crispadas nos olhos espadas rasgam a noite: o bando em loucas risadas chutando o vento ignorando espaço e tempo queimando a consciência.
O princípio da responsabilidade surdo e cego.Velho vaga no lamento enquanto o prazer reina escondendo no útero acéfalo o feto do futuro.

A semente utopia agora vazia  oca e plena de eco do pesadelo na agonia.

Amanhã a rebeldia esta poli-morta ,encontrará revolta o retorno à razão,à direção e ao sentido;e aí estaremos de fato perdidos.

Um tiro na surdes do sócio fascista umbiguismo burgues .


Wilson Roberto Nogueira

2009
Porém
Deprime-me o gargalo com a última gota que cai boca a dentro de desesperanças caladas que quando ditas são em desespero.
Esqueço.
Redson Vitorino

sábado, 18 de março de 2017

"2160 horas...."

[...] 18:40. Tinha guardado, um dia, na minha cabeça uma observação, a qual dificilmente exporia, se não me fosse lembrado por acaso...
Se eu não a expuser agora, custar-me-á muito eu tê-la exposto....
Então...
Por que, no Brasil, a maioria das rodovias passam por dentro das cidades e povoações? Por que as rodovias adentram a zona urbana? Isso atrasa os veículos que por lá passam.
Em Portugal, as rodovias passam perto das cidades, interligando-se com elas mediante de vias menores. Lá não tem conversão à esquerda... Só à direita! As vias são feitas com qualidade necessária para deixar que eu chegue de Lisboa ao Algarve (pela rodovia A2) em três horas!...
A distância é algo como o trecho entre Maceió e o Recife... O ônibus vai de Lisboa a Faro em umas três horas... E ainda faz uma parada perto de Grândola, “vila morena, terra da fraternidade”.
A BR-101 passa pelas povoações. As povoações, além de atrasar a marcha dos veículos, fazem (por causa dos seus moradores) com que a qualidade da estradas piore...
Se entre Maceió e o Recife fosse feita uma rodovia rápida sem passar pelas cidades, chamar-se-ia de “Rodovia do Frevo”. Não só por causa da paixão de alagoanos e pernambucanos pelo frevo, senão porque o deixar a rodovia as cidades de lado aumentará a velocidade dos veículos que por ela passam... Até os 120 a 140 km/h contra os atuais 80. Os carros trafegariam pela Rodovia do Frevo, “pegando” o compasso do frevo. Chegar-se-ia de Maceió ao Recife em duas horas!
Mas isso não acontece, porque, se um dia se realizar, vai trazer malefícios aos desgovernos cá embaixo e lá em cima. [...]


Vlademir  Tremazul
Tento me alimentar da tua sombra, enquanto os ossos se equilibram no impossível, com suas duas línguas ofegantes, seus olhos de predador alucinado de angústia, quando você cerra os olhos também fecham as cortinas do meu espetáculo, fico desorientada atrás da cortina falando ainda o texto que deveria ter exposto enquanto o mundo existia por aqui, um sopro teu: desabar de alegria, um gesto teu: megalomania do espaço lascivo. Ser mais de um, ver seus tentáculos à mostra nas mãos alheias, não deter os vapores das casas de ópio da alma. Nunca falar e nunca calar, você faz de mim paradoxo inconveniente pedindo carona, é tempo de infernalmente florir, vejo isso e não tem volta

Rita Medusa
Quantas vidas e quantas mortes
numa só tarde de um só dia.
Eu quase sendo salva pelas gérberas floridas
do jardim dos teus olhos.
Fosse verão viveríamos além do abismo
da lua debulhada entre o muro de jasmins.
Entretanto, a tarde outona indefinidamente
sobre o pistilo da flor que não colhemos.

Lázara Papandrea
Guardava uma asa de barata na carteira. Era supersticioso em relação ao fim do mundo.

Alex tomé

Junção da Cultura Indiana, Árabe, Flamenca e do Leste Europeu na Dança Cigana


Os ciganos são originários da Índia, mais precisamente da região do Rajastão. Porém, há muito anos atrás, numa briga, os mulçumanos expulsaram estes ciganos, que foram obrigados a andar de uma região para outra. Este povo sempre foi ligado às artes, como: artesanato, música e, principalmente dança. O bailado dos ciganos recebeu influência indiana, árabe e européia. Já, o Flamenco é uma mistura das danças espanholas com a dança cigana. Abaixo, veremos a influência de cada cultura na dança cigana:

Cultura Indiana:
A dança cigana foi influenciada pela dança indiana, justamente por causa de suas raízes, podemos ver isto através das seguintes características:
- Braços: na dança indiana os braços se mexem constantemente e em diversas posições, representando as deusas de vários braços com toda a sua dinâmica e agilidade. Já, os ciganos acreditam em um Deus só, mas seus gestos com os braços foram influenciados pela dança indiana. Ao mexer os braços e as mãos, os ciganos trabalham com os silfos, que são os elementais do ar.
- Lenço: na dança indiana há grande utilização do acessório lenço, pois como os indianos são muito místicos, o lenço significa os quatro elementos e a fertilidade. Na dança cigana, o lenço é usado para abençoar o lugar e para saudar Santa Sara pedindo ajuda e fertilidade.
- Pés: os pés bailam marcando o ritmo da música. Alguns estilos de dança cigana aconselham a dançar com os pés descalços, para contrair as forças da terra, assim como fazem algumas indianas.
- Quatro elementos: assim, como nos rituais indianos, alguns estilos de dança cigana adotam o balaido dos quatro elementos: onde uma dançarina entra com água, outra bailarina entra com uma planta, já outra mulher carrega uma tocha de fogo e, a última, entra com lenço.
- Incenso: na cultura indiana algumas bailarinas dançam com incenso como objetivo de purificar o ambiente e a dança cigana, também adotou isto.

Cultura Árabe:
A dança cigana, também, foi influenciada pela dança árabe, provamos isto por meio das seguintes características:
- Remelexo com os quadris: nas danças árabes os quadris são movimentados constantemente, representando a fertilidade, a sensualidade e a força feminina.
- Moedas nas roupas e bijuterias: nas danças mouras existem moedas nas roupas e nos acessórios, significando o desejo de riqueza, prosperidade, fartura e sorte.
- Pandeiros: os ciganos começaram a manusear o pandeiro de pele, de cabra, na Idade Antiga quando eles viajaram ao Oriente Médio, no encontro com os beduínos do deserto. Foram estes árabes que apresentaram este pandeiro aos ciganos que, por sua vez, introduziram o instrumento nas suas danças.
- Cante Mouro: na dança cigana temos o cante mouro, oriundo da cultura árabe, que é uma voz que começa cantando, lamentando a dor, lentamente. Mas que, muitas vezes, no final da música, a mesma voz reage com força à medida que o ritmo vai ficando cada vez mais rápido. Isto significa que os ciganos são capazes de enfrentar qualquer tipo de sofrimento. Um exemplo de canção com cante mouro é a música: Lamento Cigano.
- Sacolejo de ombros: significa capacidade de enfrentar a vida, apesar dos problemas.
- Velas: a dança árabe utiliza velas como símbolo de iluminação. Costuma-se dançar com velas em momentos importantes, como o casamento, por exemplo. A dança cigana adotou este acessório.
- Danças Circulares: no Oriente Médio os bailados em rodas são utilizados como símbolo de prece e união.
- Tuaregues ou tauregues: estes grupos são considerados os árabes mágicos do deserto. As mulheres dançam cobertas aos pés às cabeças, com os rostos escondidos. Geralmente, elas entram cobertas com um enorme lenço em seu corpo inteiro. Por isto, é comum na dança cigana, que antes da apresentação, a dançarina entre coberta com um lenço inteiro e depois ao início da música, ela jogue este pano no chão.


Cultura Flamenca:
A dança cigana influenciou o Flamenco, que nasceu em Andalucía e se espalhou por toda a Espanha, podemos ver isto através das seguintes características:
- Leques: o uso de abanicos na dança cigana, iniciou-se na Idade Antiga, quando os ciganos passaram pela Espanha. Deste jeito, a forma de utilização deste acessório é igual ao das danças espanholas.
- Saias rodadas: as saias compridas foram adotadas pelos ciganos quando eles chegaram à Europa, principalmente, na Espanha. Na dança cigana existem muitos rodados de saias, que significam alegria, beleza e gratidão.
- Sapateado: alguns estilos de dança cigana usam o sapateado como instrumento de percussão. Quando a cigana sapateia, significa, que ela está lutando pelo que quer sem medo.
- Xale: Por possuir formato triangular, significa a sagrada trindade, religiosidade, respeito e humildade.
- Castanhola: alguns estilos de dança cigana, também, usam a castanhola.

Cultura do Leste Europeu:
Os ciganos absorveram a cultura do Leste Europeu, em suas andanças na Idade Antiga. A dança desta região tem as seguintes características:
- Passos húngaros.
- Saltos e pulos.
- Flexão segmentar dos membros inferiores com aproximação dos segmentos dos membros inferiores pela atitude flexionada dos mesmos como aproximação dos seus segmentos possibilitando movimentos, que destacam os joelho e tornozelo.
- Aproximação dos membros inferiores ao tronco em determinadas situações no corpo no espaço.
- Diferentes contatos dos pés sob o solo com a planta do pé.
- Figurinos usando espartilho e colete.
- Utilização de instrumentos como: violino, rabeca e balalaika.
Luciana do Rocio Mallon



quinta-feira, 16 de março de 2017

INQUIETUDES


Caminhei sobre cacos de cristais
Feito criança inocente.
Passei fome em banquetes reais.
Fiquei sem ar em vendavais.
Dancei feito ancião de barbas longas
Com as aves, nas asas de uma paixão.
Nadei nua com as belugas
No profundo azul da imensidão.
Sofri, amei, sorri.
Cavalguei corcéis selvagens
Em noite de lua.
Colhi estrelas para serem só suas.
Recebi cacos moídos de ingratidão.
Cantei com o rouxinol do imperador.
Fui descartada feito flor que murchou.
Beijei sob a Aurora Boreal.
Dancei a dança da chuva que não veio.
Sorri, amei, sofri.
E assim me vou,
Em meus devaneios,
Com minhas inquietudes.

MÁRCIA GUIMARÃES

Aracaju (SE)
"Em dias de carência, lê-se poesia
ancestral amiga que ao primevo
sagrado me religa;
Em dias de vazio, lê-se poesia,
velha companhia que me renova,
de fio a pavio, a alma em trova,
entusiasmo e fantasia.
Em dias de desalento, lê-se poesia,

Sutil instrumento, ferramenta do dia."

 (Ademir Martins)

POESIA EM RECAÍDA


A transcendência do poeta
Através da poesia
Estado de espírito
Reflexo da alma
Alimento composto do néctar do amor,
Temperado com o amargo das paixões
Efêmeras e eternizadas
Centelhas da ilusão
Apimentado com as delícias
Acariciadas pelas mãos
Que sufocam a carne desfiadas
Pelos beijos e pelos dentes
Que trituram o coração dos poetas
Românticos e apaixonados.

DENISE VIANA TOLEDO


Poema dedicado aos poetas do Romantismo

CONTADOR DE HISTÓRIA


Para Maristela Papa

O contador de história
Tem a festa dentro dele
Porque de uma festa
É o que a criança mais gosta
Dentro dos olhos
Um bocado de velinhas acesas
Pulando de estrela pra estrela
Chapéu com pisca pisca rodando
Ele tem a mão cheia de confetes
E quando balança espalha sorrisos
Que ele guarda no baú de mágico
Ele tem muitas muitas máscaras
É para ninguém saber quem ele é
E quando pensa quem é ele
Um pensa que é palhaço
Ele já virou outro
Saltando de paraquedas
E quando bate no chão vira cantiga
Que as crianças sabem cantar
Tem um montão de doce na boca
Por isso o que ele conta é gostoso
Verdade que tem batata quente no pé
Tem hora que não para de saltitar
Porque criança também gosta de pular
Aí não tem coisa melhor
É criança contando história para criança
Uma hora é passarinho e outra é gato
Galinha cheia de pintinhos ciscando
A... Sim... Ia me esquecendo
Tem pipoca rebentando o tempo todo
Ai que cheirinho bom
Da vontade da história nunca acabar
Pra olhinhos pedindo mais outra
O contador tem dentro dele um circo
Baile de fantasia e muita mágica
Daquela que ao falar já acontece
Tem príncipe que vira sapo
Tem princesa que vira príncipe rato
E casa com a barata que não tem dinheiro
E tudo vira verdade fácil de acreditar
Porque no mundo encantado
Um encanto encanta outro
E todo mundo
Encontra o príncipe do chocolate

Joel Cavalcante
Aprender a aproveitar o dia. Não se apressar, não se diminuir. Muita coisa pra fazer ? Melhor fazer menos. Hoje, subindo a serra, comprovei, existem hortênsias cor-de- rosa na Mata Atlântica. Frase de pára-choque de caminhão: "Faltou dia para tanta noite."

MK

Pra não dizer que não falei dos cabrestos


A forma, cabrestos
Solícitos

Explícito tato, no breu
Do ato
Em mim, pratos, partos
Gatos, muros
Coisas assim.

Sou, do Todo
A parte
Teu

Cosmos
Fósforo, canela, pétalas
Dores, populismos verdes

Falou de amores
Reproduzi alienígenas

Em teu cosmos
De solidão

Rebentação nas tuas pedras
Rochas pós-modernas
Insossas
Meu sal transcendente

Voem para o poente
Quando luz arrefecer

Estou a mil marquises-luz
Do teu gelo
Cor de laranja neón

Habitaremos
Três luas de Saturno
Por ora.

Anderson Carlos Maciel

Quando o Amor Se Torna Apenas Vaidade


A maioria das pessoas está tratando seus parceiros como objetos. Pois o amor, infelizmente, se tornou vaidade. Casais fingem sentir algo profundo postando fotos juntos em redes sociais, enquanto brigam e discutem dentro de casa.
Cerimônias de casamento, agora, viraram espetáculos na mídia. Dias atrás, postaram na rede o casamento de um artista sertanejo onde ele cantou na igreja e o matrimônio apenas se tornou um espetáculo. Existe outro link onde um homem declama, para a noiva na igreja, um poema chamado: “Você é a Minha Primavera”. Então o vídeo viralizou nas redes sociais. Porém, o texto é praticamente utópico. Pois, na vida real, quando chega o inverno e as dificuldades, junto com esta estação, muitos casais se separam. Depois surgiu outro vídeo onde um casal se casa numa praia de nudismo como se fosse show de outro mundo.
Para uma maioria, relacionamento não é mais símbolo de amor, e sim, de vaidade.
Não pretendo me casar, pois não acredito que eu encontre alguém compatível comigo já que passei dos quarenta anos de idade. Escolhi passar a minha velhice com animais de estimação e com uma consciência tranquila. Pois não uso as pessoas com as quais tenho afeição em nome da vaidade. Porém, se um dia, acontecer o milagre do destino mandar um amor para mim, nunca exporei meu amado nas redes sociais e terei um namoro discreto junto com um casamento secreto.
Pois é como um poeta disse:
“-Escolha um relacionamento que mude a sua vida e não só o perfil nas redes sociais.”
Afinal quando o amor se torna só vaidade, toda a sua essência morre.

Luciana do Rocio Mallon

CANTO PARA MINHA CURITIBA

Como estar de alvíssaras, o povo, gado marcado, povo infeliz?
Como te ver feliz sem a lente do encantamento, sem as esperanças perdidas, sem os eflúvios do amor?
Que horror esse mundo, cada vez mais hediondamente feio, em adiantado estado de corrupção.
Sinto ansiedade pelos dias que virão sem verão, vocês me verão.
Penso na morte e na ressurreição.
Tornei-me clérigo com o objetivo nítido de ser um novo Orfeu.
No coro, não cheguei a corifeu.
AIFUdeu.
Só, sempre só, eu e o sol que enche a cara toda noite e acorda com espasmando os vômitos cirróticos da ressaca.
Os dias cinzentos, pra aguentar, só com pinga e cinzano.
A temperatura no final de semana despenca.
Triste a cidade, não mais me sorri.
Percorro sozinho os escaninhos das ruelas, nos becos e butecos com papo com as putas e as donzelas.
Embarco no Bondinho da Rua das Flores para Pasárgada, destino Paraíso.
Curitiba das colinas de São Francisco, seus seios, meninos, eu vi.
Curitiba que nunca deixou de ser o que é, chuvinha friinha, fininha, chuvica, chuvona, a borrasca, a bonança, a geada, a neve.
Vou dormiiiiii e sonhar na clausura sem censura.
Arrancar os cobertores esfiapados, furados, para nus nos cobrir, o corpo do espírito carcaça.
Viver em Curitiba é isso, já dizia o finado Esculápio, só de cara cheia de cachaça.
Não, hoje não bebi.

Bjs ao mulheril amado, e ao desamado também.

José Aparecido Fiori

LOBOS NÃO CHORAM...


Por que esse olhar tão triste...
percebo seus passos leves
por entre as folhas e galhos
estão hesitantes...
Não tenha medo...
sempre vou te proteger
nada lhe acontecerá...
fique sob a minha luz
fiel companheiro
atento às sombras...
há vultos na escuridão...
caminhe comigo
com passos firmes...
olhe o horizonte
ele está logo ali...
Suas feridas vão sarar
seu coração criará
asas novamente...
seu espírito livre
te dará o ânimo
necessário...
como fera
ouvirei o seu canto
como um clarim na noite...
canção para mim...
e dançarei para ti...
feito bailarina...
teus passos iluminarei...
tocarei com a minha luz
numa carícia breve...
mas carinhosamente
o teu semblante...
com o amor
que tenho por ti...
Não chore...
Lobos não choram...
Lobos cantam para a Lua
ninguém captura a sua alma...
ela é livre...
e sempre será...
Coleção Lobos...

by Cirlei Fajardo

O Brasil dói

"O Brasil dói que nem dente
O Brasil dói que nem ouvido
O Brasil dói que nem falta
de dente e de ouvido
O Brasil dói que nem pau-brasil, cana, gado, borracha, ouro...
O Brasil dói que nem pindorama
O Brasil dói de história
O Brasil dói de falta de história
O Brasil dói de carochinha, de boi dormir...
Boi morto... tempo morto...
O Brasil é quase aborto
O Brasil dói de ter sido descoberto
O brasil dói de ter sido encoberto

O Brasil dói pra caralho!" -

(Ademir Martins)

Não o chame de poeta



Imaginava aquela boca
aqueles dentes brancos mordendo-os
Imaginava aquela crina de anjo na casa dos 30 anos
Imaginava aqueles olhos pequenos protegidos por aço e vidro
e tinha o cheiro que não conseguia me lembrar
Imaginava aquela voz arrastada nos meus ouvidos como pássaros inconvenientes pela manhã
impondo uma vida mesmo que não houvesse tempo
Imaginava aqueles dias que poderia ter ao lado dela sem precisar ficar na dúvida de segurar o gatilho por mais um minuto
Imaginava a casa arrumada com a janta na mesa depois de sentir vontade de matar meio mundo
então eu bebia nos bueiros do meu ócio
nas poças d'águas constantes que desafiavam meus pés
estava sendo vencido por murros bem dados pelo tempo
E imaginava o gosto de terra enquanto ela estaria sorrindo confortavelmente em algum lugar com sol
e imaginava a corda frouxa lentamente me pondo de molho
Só imaginava
morria errado de novo


Redson Vitorino

NÃO É SÓ


(Para eriçar Berenice)

a vida é tão curta quanto a sua saia. . .
não se iluda, ela é miúda, Berenice
vá pecar um pouco . . . cair na gandaia. . .
e esqueça a sandice que a ‘santa’ lhe disse
não perca seu tempo, não se desperdice
contando seus sonhos à uma samambaia. . .
não deixe que o lume do seu ser se esvaia
ouse ser feliz . . . deixe de tolice!
saia da tocaia , vá pôr um biquíni
pegar uma praia, tomar um Martini
fazer uns amigos . . . namorar, menina!
que a vida é mais curta do que se imagina. . .
abandone essa clausura
‘caia fora’ da rotina
desse tédio que tortura
e cheira a naftalina. . .
vá se apaixonar menina!
deixar que o Sol ilumine
sua cena, sua sina
antes que a tarde termine. . .
não há ‘hora certa’ nem ‘dia de sorte’
pra gozar a vida . . .
pra realizar-se. . .
também acredito em vida após a morte. . .
mas, não é só pra morrer
que a gente nasce.


PAULO MIRANDA BARRETO

O CERTO É O AVESSO DO VERSO


Manhã inteira de sol, aqui, no meio ambiente
Curitiba, por onde solo me assolo, tu me sondas
Por teus caminhos onde passo, tudo que vejo me espanta em desejo
O olhar do morto na rua me avisa que ainda está vivo
No fio da navalha, a vela acesa
Incenso-me contra o intruso Capeta
Quando urge-me ungir, ensopo-me com hissope de água benta
A boca não calo, num átimo de surto estalo
Só calo quando no quarto curto algum pecado
Rujo nas ruas, mujo no mangue, navego no mar sujo, do oceano surjo caramujo
Me percebo percevejo indefeso em defesa do defeso
Me arrasto, camelo, caranguejo
Vamos falicamente falando, frágeis e afoitos, até quando, não sei
Sou feliz, porque Tu vais comigo
Vamos lado a lado, és meu melhor Amigo
Vamos que vamos, parlando si và lontano
O enredo da trama, não imito, eu invento sem medo a todo momento
O certo é o avesso do verso
O que eu trovo é o côncavo e o convexo
Este é meu segredo
O tricô que tricoto é o anexo do novelo
A novela eu desprezo no arquivo morto do teu desprezo.

José Aparecido Fiori

Tudo bem meu bem


A esperança
de que a vida
seja assim mesmo,
bem manêra
como as pessoas dizem
(e a vontade de dançar
contigo na próxima festa,
mesmo que nada aconteça).
1986
*
Do livro Os Filmes em que Morremos de Amor

André Giusti, Editora Patuá, 2016

terça-feira, 14 de março de 2017

o mel que provei um dia  dos lábios a saliva dela deu-me sede de vinhedos raros.
hoje o gosto de rolha avinagrou minhas lembranças . Estamos presos numa mesma masmorra
 o casamento.

Wilson Roberto Nogueira

Uma vida mediocre

Uma alma esfarrapada tenta cobrir o sebo que escorre por entre a putridez do verbo ácido ,
só restos de metal enferrujado da  vida opaca mediocritando desidratados sonhos em
sonolentos passos a desfraldar misérias nas navalhas dos  dias de inverno.
Assim desconjuntada possessão dalma  decrépita as derradeira  cicatrizes tornam-se signos
emudecidos de anônima história.

Wilson Roberto Nogueira

domingo, 12 de março de 2017

ATAQUE HOMOFÓBICO



Cometeu seu último ataque homofóbico. Olhou a vítima bem nos olhos. Enforcou-se na frente do espelho.JDamasio
Tinha tanta coisa para dizer
mas de repente calei,
esperei e respirei...
Tudo passou...
mas ficou o gosto
do não dito,
saboreando meu paladar!
Amaury Nogueira
Poeta Paranaense

Qual é teu grupo ? Nenhum. Escritores vivem em exílio e amam a solidão. Difícil para qualquer mortal saber o quanto a solidão é preciosa. Todos querem pertencer a algum grupo, ser repercutido. No momento em que a identidade é afirmada, a humanidade torna-se o seu grupo.

MK